jun 26 2009

Morre Michael Jackson

Postado por Ricardo Pinto às 11:23 em Música

Nunca fui fã da arte do cantor norte-americano Michael Jackson, embora o reconhecesse como um dos raros milagres sociais da nossa civilização.

Negro, pobre e homossexual, Michael definitivamente não possuia nenhuma chance de sobrevivência digna em uma sociedade altamente moralista, preconceituosa e segregacionista como a dos Estados Unidos da América. No entanto duas qualidades o salvou de um destino triste e injusto: seu talento para a música e para a dança e, principalmente, sua coragem em perseguir seus sonhos a qualquer custo.

Michael Jackson – do qual quando menino ganhei um disquinho compacto do álbum Thriller (1982) em uma promoção da Coca-Cola – revolucionou a música pop com um idioma próprio, um estilo único que serviu de inspiração a todos os cantores americanos que o seguiram.

Durante anos envolvido em acusações de pedofilia Michael pagou amargo preço por sua fama e pelo seu modo de vida bizarro e extravagante, misturado a uma clara homossexualidade que ele em vão tentava ocultar do mundo, somando-se a isso o fato de que sempre viveu rodeado de crianças, a maioria meninos.

O resultado de tudo isso foi um homem que, fora do palco, tornou-se uma verdadeira sombra, uma figura frágil, de estrutura emocional fraca, necessitando constantemente de tratamentos médicos e medicamentos fortes – estes, aliás, pelas notícias que foram divulgadas até o momento, a causa de sua morte aos 50 anos de idade.

Apesar de todas as mazelas de sua vida pública e privada, Michael Jackson era um monumento artístico contemporâneo, uma das referências sociais da nossa era, e o mundo sentirá sua falta.

Quando algo é muito grande torna-se impossível não notar sua ausência.

Eis pois o registro imperioso do falecimento desse artista singular e a singela homenagem do Temporal de Idéias.

4 responses so far

4 comentários para “Morre Michael Jackson”

  1. Wilmar Morari Juniorem 01 jul 2009 às 20:59

    [i]“…quando menino ganhei um disquinho compacto do álbum Thriller (1982) em uma promoção da Coca-Cola.”[/i]

    Não era da Coca, rapaz, mas da Pepsi-Cola (pois é, o cara sempre curtiu lances alternativos). Também tive uma cópia, e lamento tê-la perdido. Hoje ela renderia uns mil pilas – tranquilo – com algum desses necrofílicos neo-fãs.

    Mas isso do tempo em que máscaras de Darth Vader vinham de brinde na compra de duas latas de Nescau, tragava-se cigarrinhos de chocolate da Pan, ou, melhor, trocava-se algumas embalagens de Omo por um revólver de espoleta sem que um sociólogo pentelho taxasse você de projeto de marginal por isso.

    E se o maikou – como o ronei gosta de escrever – pudesse ler toda essa bobajada que escrevi, eis meu PS para ele: Bem feito! Ninguém mandou me dar aquele puta cagaço com Thriller, naquele distante Fantástico de 1983… Foi legal!

  2. Líviaem 02 jul 2009 às 20:54

    Pois é agora o tal menino que o acusou Michael de abuso sexual, diz agora depois que o cara morre, que foi tudo mentira, foi obrigado pelo pai a fazer tal acusação!
    Esse artista foi de forma impiedosa acusado de várias coisas pela mídia, ele sofria de lupus (que deixa a pessoa muito debilitada), vitiligo ( ainda diziam que ele não queria ser negro, por isso trocou de cor)!
    Será que de certa forma não o matamos? Sim , nós, o público?
    Ele, quando ninguém se lembrava da África Fome, foi lá e fez uma campanha, quantos artistas existem por aí e não fazem nada para ajudar o próximo?? Pensem…

  3. Wilmar Morari Juniorem 02 jul 2009 às 22:22

    Nada como morrer e em seguida ter essa notícia repercutida absurdamente nos meios de comunicação, diluída em um “pout-pourri” somente com “the very best of” de nossa passagem pela vida, não é mesmo?

    É uma espécie de pílula de santidade imediata tomada a força. Ela potencializa de forma extraordinária os efeitos absolutórios da morte na maioria dos corações daqueles que ainda pudessem lembrar de algo que causasse uma mínima lástima na reputação não tão ilibada adquirida pelo falecido (em vida, óbvio).

    Por certo as lembranças estejam associadas a outro órgão, que nessas, como em muitas outras, é feito de bobo.

    Efeitos colaterais extremos desse coquetel midiático estão associados a visões do falecido como deus e cousa e tal.

  4. Wilmar Morari Juniorem 02 jul 2009 às 22:44

    … lembranças “estão” associadas…

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