jan 30 2010
Prefeito Felice fala de gratidão
Quando conheço alguém procuro saber se tem a virtude da gratidão. Caso contrário é preciso ter cuidado, pois sem ela certamente não terão outros valores.” (Prefeito Sanchotene Felice, p. 03, Diário da Fronteira de 27/01/2010)
No post anterior chamei atenção dos leitores sobre o novo e moderno site do Diário da Fronteira, e nele acabei me deparando com essa frase do nosso Prefeito Sanchotene Felice (essa entre centenas de outras) que me deixou bastante impressionado.
Não é novidade que todo o político vive dessa frase; aliás, eles praticamente sobrevivem dessa frase. Mas “gratidão” é uma palavra que para eles possui um significado bastante peculiar e incomum. Para eles “gratidão” significa “apoio político”, ou, resumindo, “voto”.
O Prefeito Sanchotene Felice é um político da velha escola, batuta, austero, o estereótipo do político populista, que arroga-se como o “pai do povo”, como o seu “defensor”, protegendo-o contra as ações das pessoas más (sempre aquelas que não votam nele e não concordam com sua maneira autoritária de fazer política).
A fórmula é antiga e funciona assim: o político faz um “favor” para alguma família – geralmente relacionados à saúde, que são os que mais lhes rendem eleitoralmente - e então ele automaticamente angaria muitos votos. Mas no geral esses políticos não admitem que essa família lhe dê o voto apenas em uma eleição, mas sim durante sua vida inteira.
Sim, gratidão, para políticos como o Prefeito Sanchotene Felice, há de ser eterna, senão não é gratidão; deverá ser sempre um eterno penhor, inescapável, que reduz a pessoa “ajudada” a um ser sem dignidade, repulsivo, despersonalizado, um mero vassalo à mercê de seu suserano.
“Troca de favor por votos”, é esse o significado que encerra a frase epigrafada do Prefeito Sanchotene Felice, pois não é da gratidão sadia que ele está falando, daquela gratidão madura, adulta, digna, que é representada por um simples e sincero gesto de “muito obrigado”.
Por isso meus amigos não se deixem levar por essas retóricas manjadas, pois sabemos muito bem as reais intenções que elas escondem.





